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18 de setembro de 2026

Venda da maior operadora privada de concessões de água de Portugal "INDAQUA" está na Fase final de propostas vinculativas com vários fundos finalistas ( Igneo, Manila Water, BCI, Basalt..)

Venda da maior operadora privada de concessões de água de Portugal "INDAQUA" está na Fase final de propostas vinculativas com vários fundos finalistas ( Igneo, Manila Water, BCI, Basalt..)

A Antin Infrastructure Partners, fundo francês especializado em infraestruturas, avança com a venda da Indaqua, a maior operadora privada de concessões municipais de água e saneamento em Portugal. O processo competitivo, lançado no início de 2026, coloca a empresa numa valorização de cerca de 1,3 mil milhões de euros (enterprise value), o que corresponde a um múltiplo de aproximadamente 18 vezes o EBITDA (estimado em cerca de 75 milhões de euros).

A Indaqua, liderada por Pedro Perdigão e com sede em Matosinhos, serve mais de 800 mil consumidores em Portugal (algumas estimativas apontam para cerca de 1,5 milhões de pessoas considerando operações em Espanha e Angola). A empresa gere concessões de abastecimento de água potável, saneamento e tratamento de águas residuais e tem reforçado a sua presença ibérica nos últimos anos.

Principais pontos do negócio

  • Vendedor: Antin Infrastructure Partners, que detém a Indaqua desde 2020 (quando a adquiriu à Bridgepoint).

  • Valorização: Cerca de 1,3 mil milhões de euros (enterprise value). As propostas não vinculativas da primeira fase rondaram os 1,35 mil milhões de euros no topo.

  • Calendário: Propostas não vinculativas entregues em abril de 2026. Shortlist de candidatos avançou para a fase de due diligence e propostas vinculativas, esperadas até final de junho de 2026. O fecho da operação estava previsto para o verão, embora processos deste tipo possam sofrer ajustamentos de timing.

  • Histórico de transações: Caso se concretize, será a quarta mudança de controlo da Indaqua em menos de uma década (Mota-Engil → grupo Arison/Miya → Bridgepoint → Antin). Em 2023, uma tentativa de venda à Equitix (em exclusividade por cerca de 800 milhões de euros) não avançou.

Candidatos na shortlist

Entre os investidores selecionados para a fase final (propostas vinculativas) destacam-se:

  • Igneo Infrastructure Partners (australiana, unidade do First Sentier Investors) – já tem presença relevante em Portugal (acionista maioritária da Finerge e dona das Autoestradas do Douro Litoral).

  • Manila Water Company (filipina, controlada pelo grupo de Enrique Razon).

  • British Columbia Investment Management Corporation (BCI) – grande fundo de pensões canadiano.

  • Basalt Infrastructure Partners (britânica).

Outros nomes, como o consórcio APG (neerlandês, ligado à Brisa) + Interogo (família Ikea), ficaram de fora da fase final. Interesse inicial também veio de players como Acea (Itália), entre outros.

Bancos e assessores envolvidos

Lado vendedor (Antin Infrastructure Partners):

  • Assessores financeiros principais: Citi e Société Générale.

  • Também referido em algumas reportagens o envolvimento da consultora Roland Berger.

Lado comprador (exemplos conhecidos):

  • Basalt Infrastructure Partners contratou o banco Jefferies para a assessoria financeira na fase de propostas vinculativas.

  • Igneo Infrastructure Partners está a trabalhar com a sociedade de advogados Vieira de Almeida e a consultora KPMG (mesma equipa que a acompanhou noutros deals em Portugal).

O processo atraiu inicialmente cerca de uma dezena a 14 interessados, refletindo a escassez de ativos regulados de qualidade no setor da água na Europa e o apetite de fundos de infraestruturas e utilities por plataformas com cash-flows estáveis e longo prazo.

A conclusão da operação dependerá das propostas finais, das condições de financiamento e das eventuais aprovações regulatórias. O negócio é considerado um dos mais relevantes do mercado português de M&A em 2026, a par de outros grandes processos como a privatização parcial da TAP e a venda da Logoplaste.