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17 de setembro de 2026

Mais do que focar-se exclusivamente na captação de investimento estrangeiro, Angola deve assumir mais riscos e desenvolver estratégias inovadoras de investimento externo, aumentar seus dividendos e reinvestir internamente

Mais do que focar-se exclusivamente na captação de investimento estrangeiro, Angola deve assumir mais riscos e desenvolver estratégias inovadoras de investimento externo, aumentar seus dividendos e reinvestir internamente

Mais do que focar-se exclusivamente na captação de investimento estrangeiro, Angola deve assumir mais riscos e desenvolver estratégias inovadoras de investimento externo, aumentar os seus dividendos e reinvestir internamente. A afirmação não é retórica. É um diagnóstico de maturidade económica. Países que transformaram riqueza de recursos naturais em prosperidade intergeracional não se limitaram a abrir as portas ao capital externo; criaram mecanismos sofisticados para colocar o seu próprio capital em ativos internacionais de elevada qualidade, gerando fluxos de dividendos e mais-valias que regressam à economia doméstica.

A criação desses mecanismos, nomeadamente: fundos públicos e privados, veículos de investimento, parcerias e estruturas de private equity ou co-investment é o elo que falta na arquitetura financeira angolana. Sem eles, o país continua a exportar oportunidades e a importar, de forma quase exclusiva, o capital e o risco.

O paralelismo com Mubadala de Abu Dhabi e o Fundo Soberano da Noruega

O Mubadala Investment Company, de Abu Dhabi, ilustra o caminho. Nascido como instrumento de diversificação económica, evoluiu para um investidor soberano global com cerca de 385 mil milhões de dólares sob gestão. Opera em mais de 80 países, combina investimentos diretos em mercados privados, plataformas de endowment e estruturas GP-led, e aloca capital em setores de elevado crescimento tecnologia, saúde, infraestruturas, energia renovável e crédito privado. O mandato é claro: gerar retornos sustentáveis para o acionista (o Governo de Abu Dhabi) e, ao mesmo tempo, construir campeões nacionais e presença global.

O Government Pension Fund Global da Noruega (GPFG) é o caso de referência mais citado. Criado em 1990 como Government Petroleum Fund, recebeu a primeira transferência de capital em 1996, cerca de 2 mil milhões de coroas norueguesas (poucos centenas de milhões de dólares à época). Hoje é o maior fundo soberano do mundo, com valor de mercado superior a 2 trilhões de dólares. Mais de metade do seu valor atual resulta de retornos de investimento, e não apenas de transferências petrolíferas.

As estratégias fundamentais que o tornaram relevante no cenário global foram:

- Investimento exclusivamente no exterior (para evitar sobreaquecimento da economia doméstica).

- Aumento gradual e disciplinado da alocação em ações (de 0% para 40% em 1998, depois 60% e atualmente cerca de 70%).

- Horizonte de longo prazo e regra fiscal que limita o uso do fundo ao retorno real esperado (cerca de 3%).

- Governação transparente, diretrizes éticas e gestão profissional pelo Norges Bank Investment Management.

- Diversificação alargada (ações, obrigações, imobiliário e, mais recentemente, infraestruturas renováveis).

O resultado é um fundo que detém participações em milhares de empresas cotadas em todo o mundo e que gera, todos os anos, recursos significativos para o orçamento norueguês sem necessidade de consumir o capital.

Comparativo histórico: Noruega versus Angola

O Fundo Soberano de Angola (FSDEA) foi criado por decreto presidencial em 2011 e oficialmente lançado em 2012 com uma dotação inicial de 5 mil milhões de dólares provenientes de receitas petrolíferas. À época, posicionava-se como um dos maiores fundos soberanos da África Subsariana. Previa-se ainda uma capitalização anual equivalente à venda de 100 mil barris de petróleo por dia.

A trajetória, porém, divergiu da norueguesa. Enquanto o GPFG cresceu de forma consistente através de aportes regulares, disciplina de investimento e retornos compostos, o FSDEA sofreu descapitalizações (cerca de 2,5 mil milhões de dólares em 2018-2020) e enfrentou desafios de governação e desempenho. Atualmente gere um volume significativamente inferior ao capital inicial. A diferença não está apenas no tamanho inicial (o fundo norueguês começou muito mais pequeno), mas na consistência da estratégia, na independência de gestão, na alocação global de risco e na regra de não consumir o capital principal.

A Noruega transformou commodities em capital financeiro global. Angola criou o instrumento, mas ainda não o converteu no motor de acumulação de riqueza intergeracional que se pretendia.

Uma análise da expansão dos fundos soberanos chineses

A China oferece outro exemplo de escala e ambição coordenada. A China Investment Corporation (CIC), fundada em 2007 com um capital inicial de 200 mil milhões de dólares (financiado por emissão de obrigações do Estado), cresceu para mais de 1,3 Trilhões de dólares em ativos. A CIC e outros veículos ligados às reservas cambiais chinesas (incluindo estruturas da SAFE) tornaram-se investidores de referência em private equity, infraestruturas e empresas cotadas. Participaram em operações históricas com instituições como Blackstone, Morgan Stanley, fundos de buyout europeus e americanos e criaram plataformas de co-investimento com gestores globais. O objetivo era claro: diversificar as reservas, adquirir conhecimento e posicionar o capital chinês no centro das principais corporações mundiais. Mesmo com as recentes restrições geopolíticas, a lógica de alocação externa de capital soberano permanece intacta.

A assimetria angolana: instituições para atrair, quase nenhuma para investir

A estratégia de captação de investimento externo em Angola tem sido recorrente ao longo da história recente do país. Em torno desse objetivo nasceram e multiplicaram-se instituições públicas e privadas, agências de promoção de investimento, parcerias público-privadas, regimes especiais, zonas económicas e uma vasta rede de intermediários cujo mandato principal é convencer capital estrangeiro a entrar. O resultado é uma arquitetura institucional orientada para a atração.

O contrário quase não existe. Com a exceção do FSDEA, praticamente não há fundos públicos ou privados angolanos estruturados para assumir riscos elevados e alocar capital em empresas de classe mundial, lado a lado com os principais players internacionais. O capital angolano empresarial, institucional ou familiar continua, na maior parte dos casos, preso a oportunidades domésticas ou a estruturas de baixo risco. O nicho de investimento externo inteligente e profissional permanece largamente ignorado.

THE OMINI: o instrumento para o nicho ignorado

É precisamente neste espaço que a THE OMINI se posiciona. A sua estratégia de comunicação afirma, de forma clara e reiterada, que a THE OMINI existe para explorar o nicho que tem sido sistematicamente negligenciado: tornar-se o principal instrumento capaz de ajudar investidores e organizações angolanas a desenhar e executar estratégias de investimento externo das suas empresas. Não se trata de substituir a captação de IDE, mas de complementar a equação, permitindo que o capital angolano também saia, invista com inteligência, gere dividendos e reinvista.

Como a Sonangol deve inspirar Angola a seguir seu exemplo

A Sonangol, através das suas participações no Millennium BCP e na Galp (via estruturas como a Esperaza/Amorim Energia), tem recebido dividendos significativos. Em períodos recentes, os montantes atribuídos à petrolífera angolana rondaram os 165 a 277 milhões de euros num único ciclo de distribuição, valores que, numa economia ainda dependente do petróleo, representam fluxos de capital relevantes e relativamente previsíveis.

Imagine o impacto se existissem mais empresas angolanas com a mesma capacidade de construir e manter posições relevantes em mercados maduros e previsíveis, bolsas europeias, americanas ou asiáticas, private equity e M&A de qualidade, infraestruturas e tech. Os dividendos deixariam de ser exceção e passariam a ser regra. O reinvestimento interno desses fluxos poderia financiar diversificação, formação de capital humano e novas rodadas de investimento externo, criando um ciclo virtuoso.

Angola já demonstrou capacidade de atrair capital. O próximo salto de maturidade é aprender a investi-lo fora de casa, com disciplina, horizonte longo e profissionais de nível global. Os exemplos da Noruega, do Mubadala e dos fundos chineses mostram que o caminho é possível. A Sonangol, mesmo em escala limitada, prova que dividendos de ativos internacionais já fluem para o país e são uma importante ferramenta para geração de riqueza.

O que falta é a infraestrutura institucional e privada capaz de democratizar essa capacidade. A THE OMINI surge exatamente para preencher esse vazio, transformar o capital angolano de meros receptores de investimento em atores ativos e relevantes no cenário financeiro global. O momento de assumir o risco inteligente e de construir essa capacidade é agora. A THE OMINI estende o braço porque não é possível seguir isolado.

Para aquisição de empresas na Europa: ominiservico@gmail.com