22 de agosto de 2026
Angola supera os EUA e torna-se o segundo país a receber mais dividendos de Portugal, atrás apenas da China

As participações angolanas em empresas cotadas na bolsa portuguesa vão gerar 219 milhões de euros em dividendos relativos aos lucros de 2024, montante que começa a ser distribuído a partir de abril. Com este valor, Angola ultrapassou os Estados Unidos e consolidou-se como o segundo maior destinatário de dividendos pagos pelas cotadas portuguesas a investidores estrangeiros, ficando atrás apenas da China.
Segundo dados divulgados, as empresas portuguesas cotadas em bolsa vão distribuir um total de cerca de 2,9 mil milhões de euros em dividendos referentes a 2024. Deste montante, as participações angolanas representam 7,6%. A China, graças sobretudo a investimentos na EDP e na REN, deverá receber um pouco mais de 500 milhões de euros. Em terceiro lugar ficam os EUA, com cerca de 158 milhões de dólares.
A Sonangol concentra a maior fatia dos dividendos angolanos: 165,7 milhões de euros, o equivalente a 76% do total que o país irá receber. Deste valor, 88,4 milhões de euros provêm da participação no Millennium BCP e 77,3 milhões de euros da participação indireta na Galp, detida através da Esperaza Holding (que controla 45% da Amorim Energia, acionista de referência da petrolífera).
Já a participação arrestada de Isabel dos Santos na NOS deverá gerar cerca de 53 milhões de euros, embora esses dividendos continuem retidos.
O desempenho reforça o peso das participações angolanas em empresas portuguesas de referência. A Sonangol é a segunda maior acionista do Millennium BCP (com cerca de 19,5% do capital) e detém, de forma indireta, uma posição relevante na Galp. Caso vendesse hoje a sua participação indireta na petrolífera, o potencial de valorização situar-se-ia em torno dos 2,1 mil milhões de euros.
Estes números confirmam Angola como um dos principais beneficiários dos fluxos de capital gerados pela bolsa de Lisboa, superando potências económicas tradicionais como os Estados Unidos e consolidando a posição do país no ranking dos maiores destinatários de dividendos portugueses no exterior, somente a China superou Angola, segundo dados de 2024.